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Bailarina
Professora
Criadora em Dança

Me chamo Paula Finn e moro em Porto Alegre.

 

Me denomino artista porque tenho na arte minha ocupação desde sempre. Mais do que ocupação, me apego na arte como forma de ver o mundo. Busco a poesia, o abstrato e as fissuras em tudo que posso. Por conta disso, às vezes me sinto vivendo outra realidade.

Sou bailarina, produtora, articuladora, criadora e professora. Licenciada em Dança da UFRGS , fiz parte da primeira turma do curso. Como artista e criadora em Dança, trabalho com dança contemporânea e flamenca há mais de 15 anos. Sou integrante do Coletivo Tônuma, realizando espetáculos e performances multimídias mensalmente junto ao Bar do IAB. Entre os principais espetáculos se destacam: “Hiato” (2016 - Prêmio Açorianos de Melhor Bailarina e Prêmio Brasken Destaque), “Ainda que seja Noite” (2018) “Limiar” (2019) e “A rebentação” (2019). Desde 2018 também sou bailarina da Companhia Municipal de Dança de Porto Alegre. Meu trabalho mais recente chama "Julieta" e está em processo de criação. 

 

Ministro aulas de dança contemporânea junto ao MEME Cultural, onde desenvolvo um método que inclui diversos saberes, como consciência corporal, contato com o chão, fluidez, suporte e jogos de improviso.

Na música, tenho uma pesquisa de ressignificação da castanhola como instrumento de percussão, quebrando com a forma “tradicional’ do toque e explorando a liberdade da música brasileira. A partir da Escola de Choro do Santander Cultural passei a tocar pandeiro e outras percussões e atualmente me aventuro no pandeiro e nas perfumarias  da Queixada - grupo musical do projeto SambAlterado.

Aqui abaixo o texto segue, se quiser saber uma pouco mais da minha história:

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A dança inicia e percorre minha vida toda. Quando criança, comecei a estudar dança flamenca, e logo entrei para um grupo profissional, fazendo apresentações por todo o Estado. Me sentia madura por ter que pensar no que envolve uma apresentação mesmo tendo 14 anos. Ali, naturalizei o palco, o estar em cena. Fazíamos fusões de flamenco com várias danças - tradicional gaúcha, salsa, tango, samba…. - e fui descobrindo que tudo me fascinava.

 

Mas isso era só o começo. resolvi separar essa história em diferentes “viradas de chave”

 

1ª virada

Entrei na primeira turma de Licenciatura em Dança da UFRGS em 2009.

Existe muitos porquês para fazer uma formação acadêmica.

Expandir o olhar 

Relacionar outras áreas 

Questionar prévios saberes

 

No meu caso, conheci o corpo: a consciência corporal, a história da dança, a anatomia, as danças populares, um corpo contemporâneo. 

Com meus colegas, uma explosão de corpos e pensamentos diferentes relacionados ao corpo. Com meus professores, um mar de aprendizado, um universo de coisas a saber.

Fiquei ligada ao curso de 2009 a 2016. Fui representante discente, coordenadora do diretório acadêmico, participei de mostras, criei pequenos trabalhos autorais individuais e coletivos. estagiei, entrei em colégios para dar aulas no ensino infantil e fundamental. Uma graduação, como muitas: existentes e essenciais.

 

2ª virada

Em 2011 ingressei num estágio no Centro de Dança, da Secretaria Municipal da Cultura. Mais um choque de expansão de olhar. Tantas pessoas, gêneros, bairros, quanta dança tem cidade e como é o trabalho de gestão pública! A parceria com o Centro de Dança foi uma chave na minha trajetória. Ali, aprendi a trabalhar com produção e tive a possibilidade de organizar eventos como o Prêmio Açorianos de Dança e o Festival Dançapontocom. Terminado o estágio, passei alguns anos contratada, gerenciando a área de produção de eventos.

Como fruto desse período, assinei a organização do livro “Grupo Experimental de Dança 10 anos” junto com o Airton Tomazzoni; além de ter tido o Centro de Dança como objeto do meu TCC, nomeado: “Centro de Dança: um espaço para políticas públicas para a dança em Porto Alegre”.

 

3ª Virada

Acredito que foi no Grupo Experimental de Dança que comecei a me entender como artista independente. Foi a primeira vez que tive prática diária, com professores maravilhosos e uma turma cheia de pessoas diferentes. Unido a isto, passei a frequentar aulas diversas pelas Escolas Livres.

Com o GED, tive duas grandes certezas: A primeira é que se tem algo que amo é ser aluna. Aprender constantemente, e que o corpo é um aprendizado sem fim. A segunda é que o coletivo tem muita força, que trabalhar em conjunto é muito potente, e que não queria fazer mais nada sozinha, mesmo que a minha caminhada seja feita somente por mim.

 

O trabalho independente

Me afirmei como artista independente. Junto com alguns colegas, criei o Coletivo Tônuma e ali começamos a criar nosso primeiro espetáculo. “Hiato” foi um mergulho coletivo que resultou num espetáculo o qual temos muito orgulho. Recebi o Prêmio Açorianos de Melhor Bailarina em 2016 e lembro ficar chocada por receber esse reconhecimento mesmo com um trabalho “conceitual” e não virtuoso.

  Desde então, a vontade de criar segue sempre ao meu lado. É um caminho tortuoso, confuso, mas sinto que ao criar me afirmo como pessoa e artista.

 

A Cia Municipal

Integro a Cia Municipal desde 2018. Neste ano, tivemos uma rotina rígida de aulas diárias de estilos como ballet, contemporâneo e danças urbanas. Além disso, participamos da criação de espetáculos com coreógrafos renomados. Também tive a oportunidade de apresentar o espetáculo “Beijo”, da coreógrafa Orly Portal (de Israel), no sertão nordestino, dentro da programação do Festival Sesc Cariri.

No final do ano, recebemos a notícia de que a prefeitura havia retirado as verbas do projeto e desde então estamos no aguardo de novas informações.

 

A Cultura em Desmonte

Nesses últimos anos, temos sentido na pele o desmonte da cultura. Muitos projetos, espaços que são base da cultura e da arte de Porto Alegre tem se desmontado. A Cia Municipal é um exemplo deles, mas ainda posso enumerar outros tantos que fazem parte da minha história.

Durante dois anos, junto à Cia Silvia Canarim, estive a frente da Sala 502 da Usina do Gasômetro. Isso fazia parte de um projeto chamado Usina das Artes, onde grupos independentes geriam uma sala da Usina, alimentando de cultura um espaço importante e turístico da cidade. Em 2016, a Usina fechou, e com isso, os grupos foram despejados. (a prefeitura disponibilizou uma antiga escola abandonada para receber o projeto, mas não destinou mais nenhuma verba para os artistas ou demandas estruturais do espaço).

Os editais de financiamento também estão em extinção. Fumproarte e Klauss Vianna (Prêmios municipal e federal, respectivamente) estão parados.

A Cultura está em desmonte, e isso tem mudado a nossa rotina como artistas. Menos incentivo, menos verba, menos retorno financeiro. Essa tem sido a realidade da cidade.

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